Quando finalizei a gravação com o Jacquin, já era meia-noite…

A gente estava saindo de um dos restaurantes dele depois de passar praticamente o dia inteiro junto. Encontramos ele às 7h da manhã e, dali pra frente, foi uma sequência meio maluca.

Teve gravação do Pesadelo na Cozinha, depois ele precisou correr em casa pra dar comida para o Tompero (gato dele), depois passamos por mais três restaurantes e ainda fizemos a entrevista final.

Foi cansativo, principalmente pra ele. Mas também foi um daqueles dias muito bons, que você termina morto, só que feliz.

E sendo bem sincero, quando a gravação acabou eu já estava meio tonto de uns drinks que a gente tinha tomado junto com ele. Nada absurdo, mas o suficiente pra eu só pensar: “acabou, agora é Uber e cama”.

Eu e o André - sócio e co-apresentador do canal - já tínhamos chamado o Uber, o Jacquin tinha acabado de me dar uma garrafa de gin de presente ea gente já estava naquele clima de despedida…até que do nada, ele vira e fala que queria levar a gente num bar que ele ama.

Na hora eu pensei: “ele tá sendo educado, vou recusar”, porque não fazia muito sentido. O cara estava destruído. Tinha acordado cedo, gravado o dia inteiro, eu imaginei que ele só queria ser simpático antes de ir dormir.

Mas aí eu olhei pra ele e ele estava sorrindo. Só que era um sorriso diferente. Não era aquele sorriso de foto, nem de educação, nem de “vamos encerrar bem esse dia”.

Era um sorriso real. De quem realmente queria ir, aí mesmo querendo ir pra casa e não ‘incomodar’, eu cancelei o Uber.

Fomos para o bar e então em algum momento da noite, sem ninguém planejar nada, a gente simplesmente foi parar dentro da cozinha do restaurante preferido dele em SP.

E ali foi muito louco, porque foi a primeira vez no dia inteiro que eu vi o Jacquin rindo sem ninguém pedir nada pra ele.

Sem foto. Sem vídeo. Sem pergunta. Sem câmera. Sem produção.

Só ele, a gente, o amigo dele, uma cozinha de bar e aquela sensação de que o dia oficialmente tinha acabado, então ninguém precisava mais ‘performar'.

E eu sei que falando assim parece simples, mas foi uma daquelas horas que mudam completamente o contexto de uma relação.

A gente começou o dia como uma equipe gravando com o Jacquin e terminou a noite como amigos do cara.

E foi nessa hora que veio um estralo, que por um receio de “incomodar”, ou até mesmo de querer voltar me preparar para o dia seguinte de trabalho, eu ia perder esse momento puro, real e marcante.

Porque a real é que esse tipo de momento aparece mais vezes do que a gente percebe. Aposto que se você buscar na memória, provavelmente vai lembrar de algum amigo/colega de trabalho que te fez um convite de última hora e você recusou.

Você sai de um evento e alguém que conheceu lá te chama pra jantar, mas você pensa “ah, já deu, tá tarde”.

Você termina uma reunião, cruza com alguém legal e a pessoa fala “vamos almoçar?”, mas sua cabeça já está na próxima obrigação. E quase sempre a gente vai embora.

Às vezes por cansaço, às vezes por preguiça, às vezes porque a gente está tão acostumado a cumprir a agenda que qualquer coisa fora dela parece um problema.

Só que muita coisa boa da vida mora justamente nessa parte que parecia extra.

Não é no evento principal. É depois. É quando a câmera desligou. Quando ninguém está tentando impressionar ninguém. Quando a pessoa já poderia ir embora, mas escolhe ficar mais um pouco.

É no carro voltando de algum lugar, na última mesa do bar, na cozinha do amigo do Jacquin, com todo mundo meio cansado, meio solto, e mais verdadeiro do que estava algumas horas antes.

Hoje eu tenho um critério simples pra isso. Se a pessoa que está te convidando não tem nada a ganhar com você, vai.

O Jacquin não precisava chamar a gente pra aquele bar. A entrevista já tinha acabado. O vídeo já estava garantido. Ele não precisava fazer média, agradar, nem provar nada.

Naquele momento era só uma pessoa chamando outra pessoa, talvez por isso tenha sido tão marcante.

Desde então, toda vez que eu percebo que estou indo embora no automático, mas tem algum convite genuíno ainda no ar, eu lembro dele sorrindo depois de um dia inteiro gravando e tirando foto.

Porque, no fim, os momentos que mudam alguma coisa de verdade raramente vêm com aviso, eles aparecem meio tortos, no fim do dia, quando você já estava quase indo embora.

Espero que você tenha gostado dessa versão “em off”. Meu objetivo aqui é soltar bastidores curiosos das gravações, aprendizados, conteúdos exclusivos, tudo feito 100% por mim (João), direto pra você!

Abraço,
João Curry.

PS: se essa edição fez sentido, responde aqui direto. Pode ser uma linha mesmo. Quero saber se acertei o tom ou se preciso afiar, fica a vontade para dar aquele feedback honesto!

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